Pesquisadores definem projetos que vão concorrer a R$ 45 milhões
UnB Agência – 09/08/2010
Os criadores brasileiros de gado convivem diariamente com um problema. Um amontoado de pequeninas moscas passam 24 horas por dia circulando ao redor da cabeça dos animais. Pecuaristas e pesquisadores sabem que a presença dos insetos faz esses mamíferos perderem peso, mas desconhecem uma solução para combater o mal, que gera prejuízos para a economia do país, maior exportador de carne do mundo.
Descobrir alternativas para eliminar o problema é apenas uma das possibilidades de estudo apontadas em encontro de pesquisadores das principais universidades e institutos de pesquisa do Centro-Oeste, nesta segunda-feira, 9 de agosto, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O grupo se reuniu para definir projetos de pesquisa que possam concorrer de maneira integrada a financiamento de R$ 45 milhões do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O montante é a soma de recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia, das Fundações de Apoio à Pesquisa do Centro-Oeste e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O encontro continua nesta terça-feira.
Previsto para sair até o final deste mês, o edital é o primeiro voltado exclusivamente para pesquisadores do Centro-Oeste e é um dos resultados da formação da Rede Pró Centro-Oeste de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação. Criada no final do ano passado com o objetivo de fortalecer os cursos de pós-graduação dessa área do país, a rede é formada atualmente por 15 instituições de ensino públicas e privadas dos três estados da região e do Distrito Federal.
Sustentabilidade, bioeconomia e biotecnologia são as três linhas de pesquisas já definidas pelo grupo como prioritárias em encontro no último dia 1º de julho. Entram aí estudos que envolvem o desenvolvimento, a produção e a utilização de produtos e processos biológicos em atividades econômicas. Incluem também pesquisas na área de biologia voltadas para a agricultura, ciência dos alimentos e medicina e tecnologias que levem em conta a proteção do meio ambiente. “A sustentabilidade foi apontada como o tema mais importante”, comentou Sônia Maria Jim, assessora na Secretaria Executiva do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT).
As áreas com as quais a UnB deve contribuir mais na Rede são as de biotecnologia e bioeconomia, segundo a diretora do Instituto de Ciências Biológicas, Sonia Bao, e a diretora de Apoio ao Desenvolvimento Institucional e Inovação do Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB, Célia Ghedini. “São as áreas com as quais temos muito para contribuir e trabalhar em rede”, disse Célia.
DESENVOLVIMENTO - O exemplo da mosca-de-chifre foi apontado pelo secretário executivo da Rede, Ruy Caldas, para mostrar aos pesquisadores a importância de que as propostas levem em conta o desenvolvimento do Centro-Oeste. “Precisamos fazer com que o conhecimento científico não fique só nos laboratórios, mas traga resultados efetivos para o país”, afirmou.
Para a professora da UnB e atual diretora de Biotecnologia do MCT, Maria Sueli Soares Felipe, a formação da Rede deve garantir a organização de uma estratégia sobre como garantir o desenvolvimento das pesquisas no Centro-Oeste e em todo o Brasil. “O Brasil é 13º país em produção científica no mundo. Somos muito bons em pesquisas, sabemos produzir conhecimento científico nas universidades, mas não estamos transformando esse conhecimento em produtos que realmente possam contribuir como o desenvolvimento do país”, disse. “E não é um problema de investimento. Só os fundos setoriais geraram R$ 15 bilhões para pesquisas desde 1999”, completou.
Para avançar, ela considera fundamental que as universidades façam parcerias com as indústrias e instituições de pesquisa estrangeiras, além de investir melhor em educação básica. “O estudo das ciências exatas não é prioridade na América Latina e não temos como avançar se não tivermos força nisso”, afirma. “Na minha opinião, pelo menos 60% do tempo escolar deveria ser dedicado às ciências exatas”, acredita.
O professor da UnB, Roberto Cavalcante, destacou algumas vantagens do Brasil nas pesquisa frente aos outros países. “Estamos no meio da biodiversidade. Não precisamos nos deslocar para fazer os experimentos. Eles estão ao nosso redor”, disse.
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