Professores agora dão aula até da sala de casa, por programas de bate-papo

O Globo – 09/08/2010

 

RIO - Nenhuma mãe acreditaria, mas, às vezes, quando estão pendurados no computador, conversando em programas de bate-papo, os filhos estão, sim, estudando.

É cada vez maior o número de professores que trocam e-mails e mensagens instantâneas com os alunos. Uma mão na roda para os estudantes, que tiram suas dúvidas na hora de fazer trabalhos e exercícios ou na véspera de provas importantes como o Enem e os vestibulares das universidades públicas.

- Como o professor nos deu essa liberdade, sempre que tenho dúvidas, principalmente em vésperas de prova, entro no MSN e grito Claaaaaudioooo! - conta, rindo, Raquel Haddad, de 17 anos, do 3° ano do Colégio Notre Dame Recreio, se referindo ao professor de geografia Claudio Alves Costa.

O trabalhinho extra, e não remunerado, pode até parecer um "aluguel" a mais para os professores, mas são exatamente eles os maiores incentivadores dessa prática.

- O professor tem que transcender a sala de aula. Deve ser um orientador educacional. Só acho que o sistema e as instituições têm que perceber isso. O problema é o professor continuar sendo remunerado por hora-aula - avalia Claudio.

Além de ajudar os estudantes, o contato via internet também melhora a relação professor-aluno, que acaba ficando mais próxima.

- Não existe mais aquela distância de antigamente. Nossa comunicação, mesmo durante a aula, é muito mais fácil - diz Vinnícius Sousa, de 15 anos, também aluno de Claudio.

O que não significa que os jovens percam a noção da autoridade máxima que o professor exerce dentro de sala.

- Eles são muito tranquilos. Se meu status está ocupado, nem falam comigo. E, quando não posso falar, eles mandam as dúvidas por e-mail para eu responder depois. A relação de respeito é igual à de sala - garante Claudio.

Já o professor de biologia Leonardo Porto foi ainda mais longe e criou até um grupo de estudo via bate-papo. Nas vésperas de provas, ele marca encontros on-line com todos os alunos que tentam vagas em carreiras da área biomédica e responde às questões de todos numa conversa única.

- Como não tenho tempo para entrar toda hora no MSN, marco horários certos. É importante para eles, que vão para a prova no dia seguinte mais tranquilos e, principalmente, sem dúvidas - defende Leonardo.

Casado, ele garante que a mulher não implica quando ele fica no computador com os alunos e diz que o maior retorno é ver seus pupilos entrando para a faculdade.

- Fico tão feliz quanto eles. O magistério cansa, é desgastante. Mas, quando o aluno passa no vestibular, recompensa todo o esforço - diz.